China e Bahia
Por Eduardo Athayde

Ao longo da sua história, o Brasil vem recebendo influências de países como Portugal, França, Estados Unidos, Espanha e Itália. Particularmente a Bahia foi especialmente enriquecida pela influência de países africanos. Neste ano de 2018, comemorativo do 40º aniversário da reforma e abertura da China, o Brasil começa a sentir a sua sutil e crescente influência. Estrategicamente os chineses também se aproximam da Bahia.

Posicionada como segunda maior economia do mundo, com PIB de US$ 13 trilhões e crescimento de 6,9 % ao ano (cerca de US$ 900 bi/ano), a China está em rota para superar os EUA e tornar-se a maior economia global até 2030. A partir de 2019, Pequim será um dos centros estratégicos decisórios para a economia brasileira e o economista-chefe do Banco da China, Tse Kwok-leung, interessado em desenvolver baías de classe mundial, já conhece a de Todos-os-Santos - como Capital da Amazônia Azul - marcada no seu mapa google.

Reunidos na cidade chinesa de Tianjin entre de 18 a 20 de setembro próximo, líderes globais participarão do 12º Encontro Anual dos Novos Campeões, a maior cúpula do Fórum Econômico Mundial dedicada à Quarta Revolução Industrial. No total, a reunião receberá mais de 2 mil representantes de alto nível da política, dos negócios, da sociedade civil, da academia e das artes de mais de cem países. O tema do encontro é Formar Sociedades Inovadoras na Quarta Revolução Industrial.

Os efeitos de decisões sobre inovações para a Quarta Revolução Industrial, tomadas na China, repercutirão imediatamente na Bahia

No topo da agenda estarão workshops sobre como a Quarta Revolução Industrial, uma transformação impulsionada por novas tecnologias, como inteligência artificial, internet das coisas e edição de genes, já está impactando economias e sociedades, bem como a paisagem geopolítica. O impacto dessas tecnologias inclui a implantação generalizada de robôs industriais no setor manufatureiro, uma rápida expansão no uso de inteligência artificial em negócios e pesquisa científica, o conceito perigoso de tecnologias chamadas de “uso duplo”, ou seja, projetadas para uso civil que podem facilmente ser reaproveitadas para uso militar.

A reunião terá como foco as principais questões geopolíticas e geoeconômicas de hoje, incluindo os mais recentes desenvolvimentos no comércio global, o surgimento de um sistema geopolítico “multiconceitual” e as perspectivas para a economia mundial. Haverá também um forte foco no rápido desenvolvimento da China, com discussões para a abertura dos mercados financeiros, cripto moedas, startups variadas, inclusive as financeiras fintechs, e o recente lançamento do maior sistema de comércio de carbono do mundo. A fintech chinesa Ant Financial, lançada há quatro anos, já alcançou valor de mercado de US$ 150 bilhões.

Em todas as reuniões do Fórum Econômico Mundial, o desenho do programa está focado para a entrega de resultados, com mais de cem sessões de trabalho permitindo que os participantes cheguem a um consenso, formulem políticas e construam parcerias para explorar ou mitigar os impactos da onda de transformação.

“Nosso mundo está passando por uma das mudanças mais profundas da história humana. Estamos apenas no começo dessa transformação, mas sabemos que ela contém imensas promessas e desafios para nosso futuro”, disse Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial. “Estou ansioso para me inspirar em ideias visionárias e tendências tecnológicas compartilhadas no fórum sobre a Quarta Revolução Industrial, que fornecerá uma grande fonte de poder para promover o desenvolvimento e o bem-estar global da China nesta nova era ”, afirmou Xia Qing, diretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da China.

Nessa era de mudanças disruptivas entre a economia analógica e a “economia” digital, onde blocos de informações online e decisões trafegam em tempo real, os efeitos de decisões sobre inovações para a Quarta Revolução Industrial, tomadas na China, repercutirão imediatamente na Bahia através de representantes do consórcio que discutem a construção da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e da China Railway Group Limited (Crec), interessada na construção da ponte Salvador-Itaparica.

Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil. Artigo publicado originalmente no CORREIO, em 18 de setembro de 2018, sob o título: Quarta Revolução Industrial, China e Bahia.


Eduardo Athayde

Diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil
E-mail: eduardo@uma.org.br

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