Influência das religiões
Por Eduardo Athayde

As religiões sempre desempenharam papeis estruturantes na história das civilizações humanas, reforçando comportamentos, relacionamentos e conformidades. Ajudando a estabelecer fronteiras geopolíticas, induziram a escolhas através dos tempos, influenciando a arquitetura, a urbanização, as formas de convivência sociais, os regimes matrimoniais e até as moedas. Nas notas do dólar americano, país onde os jesuítas marcaram presença, está escrito “In God we Trust” (Em Deus nós Confiamos).

"O mundo é a nossa casa" disse Jerome Nadal (1507-1580), jesuíta espanhol companheiro de Inácio de Loyola, referindo-se ao mundo fora das igrejas e dos mosteiros. "O mundo inteiro se torna objeto de nosso interesse e preocupação, somos chamados a ir a qualquer lugar através das fronteiras geográficas e culturais onde há necessidade de trabalhar com Cristo". Esta é a declaração oficial dos jesuítas.

Considerando a autoridade moral e a força dos recursos financeiros das organizações religiosas, a sua influência nos estados e o fato de que 86% das pessoas em todo o mundo pertencem a uma religião organizada, o envolvimento religioso na construção das sociedades é evidente desde a remota antiguidade. A Sociedade de Jesus (Societas Iesu), congregação da Igreja Católica fundada no Século XVI por Inácio de Loyola na Espanha, sempre teve noção da sua força.

Hoje, a congregação com 16.378 membros - incluindo o Papa Francisco - espalhados por 112 nações, em seis continentes, continua inovando

No livro Arte Jesuíta no Brasil Colonial, recipiente do "Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica Clarival do Prado Valladares", a historiadora Anna Maria Monteiro de Carvalho mostra a atuação missionária pioneira da ordem jesuíta. Em carta de 15 de abril de 1549, Manuel da Nóbrega, sacerdote jesuíta e chefe da primeira missão no Brasil, informa a Simão Rodrigues, provincial jesuíta: “o governador escolheu um bom vale para nós, teremos água, assim m’o dizem todos. Aqui podemos fazer o nosso valhacouto [abrigo] e partir para a catequese no Brasil”.

No prefácio, o historiador Antonio Edmilson Martins Rodrigues, professor de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ressalta: “seus autos realizaram uma profunda mudança nas terras brasileiras, provocando alterações culturais que constituíram a base do rascunho da nação brasileira”. Os colégios dos jesuítas funcionaram como espaços de centralidade e desenvolvimento urbano, inspirando a expansão de seminários, fazendas, engenhos e aldeamentos em pontos estratégicos ao longo de todo o litoral do país.

Hoje, a congregação com 16.378 membros - incluindo o Papa Francisco - espalhados por 112 nações, em seis continentes, continua inovando. A Rede Jesuíta de Educação, responsável por 17 centros de aprendizagem, 31 mil alunos e quase 2 mil educadores, em diversas localidades do Brasil, mantém a secular tradição de ensino e a importância da aprendizagem para o futuro sustentável do planeta formando pessoas capazes de pensar com autonomia, profundidade e agir com solidariedade.


Eduardo Athayde

Diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil
E-mail: eduardo@uma.org.br

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