inovação é... criação coletiva
Por Silvio Meira

inovação é a mudança de comportamento, no mercado, de fornecedores e consumidores. a definição de peter drucker diz tudo. pra inovar, você muda e, com você, clientes e usuários. quem tem ou pretende ter clientes deveria pensar, sempre, na criação de usuários que amam seus produtos e serviços. mas conceitos e propostas que podem transformar usuários ou criar novas categorias de serviços quase sempre se deparam, no berço, com a aversão a risco de gerências distantes de onde elas surgem. aí, e fora de seu alcance e controle, criatividade vira problema, talvez para ser debelado por –aí sim- controles institucionais.

inovação é mudança; mudança é risco. mas não mudar é certeza que o mercado passa e seu negócio, fica. pra trás. desaparece, talvez. será que aversão a risco tem jeito? sim, depende de reconhecer a possibilidade potencial de resultados da inovação. mas quem faz isso quase sempre está nas pontas, onde está a capacidade de criar e implementar. e onde há pouquíssimo poder para autorizar aventuras.

um negócio que se preza só faz dois tipos de produtos: quando acerta, um que os usuários amam e, quando erra, um que eles odeiam. pra fazer os tanto-faz-tanto-fez é melhor desistir de e abrir uma pousada –que os usuários amem- em fernando de noronha.

o centro dos negócios, quase sempre longe do calor dos acontecimentos, tende a se isolar, ignorantemente seguro, enquanto ondas de criatividade cercam a empresa, às vezes dentro dela. e o negócio não age –ou não reage- por falta de conhecimento e autoridade onde elas deveriam estar.

isso quer dizer que, onde deveria haver um coletivo que criaria conhecimento para resolver (novos) problemas dos clientes e usuários, há uma pirâmide para continuar fazendo o que sempre foi feito… e se tornar cada vez mais irrelevante. a lata de lixo da história dos negócios está lotada de empresas que agiram assim.

será que dá pra ser diferente, especialmente nos médios e grandes negócios? sim, e a receita não é difícil: transforme seu negócio numa rede de criação coletiva de conhecimento. e o principal agente, aqui, não é o líder da empresa nem o criador da periferia, mas os gerentes intermediários, espremidos entre a inventividade da periferia e a pressão por resultados do centro. se os gerentes de nível intermediário, que todo negócio tem, não são agentes da mudança, não são gerentes de inovação… é porque o negócio só tem passado. ou nem isso, talvez…

e o principal papel destes agentes do meio do negócio, associados às pontas, que interagem com o mundo real e percebem as mudanças na hora, é evitar produtos e serviços mais ou menos, onde os negócios muitas vezes se afundam. um negócio que se preza só faz dois tipos de produtos: quando acerta, um que os usuários amam e, quando erra, um que eles odeiam. pra fazer os tanto-faz-tanto-fez é melhor desistir de e abrir uma pousada –que os usuários amem- em fernando de noronha.


Silvio Meira

Fundador do www.portodigital.org e cientista-chefe do www.cesar.org.br, escreve mensalmente para a Folha de São Paulo.

 

 

 

 

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