que livro levar pra uma ilha deserta?
Por Silvio Meira

Você saiu do rio, são paulo e outras metrópoles e tentou –mas a vasta maioria não conseguiu- ir pra um lugar onde havia menos gente, pra descansar da civilização e se preparar para o gigantesco engarrafamento da volta, no domingo.

tivesse sorte, teria ido para uma ilha deserta. se isolar do mundo. daí a pergunta do título. outra alternativa era “o que levar pra uma ilha deserta”? mas haveria quem confundisse o “que” com “quem”. a pergunta, como está no título, serve pra quem vai sozinho ou acompanhado. e que saiba e tenha [ainda] algum tempo pra ler.

e então, você ou vocês levariam que livro?…

a resposta da hora é… nenhum.

melhor levar CRUSOE, o tablet cujas baterias recarregam em painéis solares e que se conecta à internet via satélite. e a coisa ainda pode trazer TV digital à ilha [particular ou invadida, não mais isolada…] no pacote. CRUSOE ainda não existe, claro. a OLPC disse que ia fazer um parecido. e a direcTV tem o resto, até a internet via satélite [12Mbps down/3Mbps up, menos de US$50/mês] nalgumas geografias. se “sua” ilha ainda não está lá, em breve estará.

e o livro? o livro está online, é conteúdo aumentado, conectado, compartilhado e em rede. o livro é serviço [veja texto aqui do blog sobre o assunto] é só clicar no mercado de literatura [um dos apps instalados lá no CRUSOE] e trazer pro leitor, na ilha. e o resto é conversa. fiada. na ilha, no feriadão. até o gigaengarrafamento da volta.

e a poesia, a melancolia, da solidão a dois? pois é, não existe mais, como dantes, no mundo físico ao seu redor. você que tem que criá-la, um virtual só seu e dele, ou dela, na tal da ilha que nem é. talvez seja só um quarto e sala na periferia de recife. melhor: aqui, sabendo-se cercado de tanta gente, você pode investir seu tempo em escapar, pelo tempo que quiser ou puder. no passado, se você fosse o crusoe das “estranhas e surpreendentes aventuras” que dafoe descreveu [sua cópia grátis está aqui], o plano seria só voltar pra casa, sair do isolamento, se possível sem passar pelo engarrafamento [e pelos sinais; quais?…] e chegar no seu lugar.


Silvio Meira

Fundador do www.portodigital.org e cientista-chefe do www.cesar.org.br, escreve mensalmente para a Folha de São Paulo.

 

 

 

 

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