Papel do professor
Por Viviane Senna

Qualquer um de nós que puxar um pouquinho pela memória certamente vai se lembrar de um professor ou uma professora especial – alguém que tenha marcado nossas vidas. E não são apenas recordações afetivas, e sim momentos que ajudaram a construir o nosso caráter e formar quem somos hoje. Proponho uma reflexão sobre o papel desse profissional tão fundamental no atual cenário da educação.

Desde a criação das primeiras escolas nos moldes que hoje conhecemos, na virada do Século 18 para o Século 19, a função do professor foi a de ser a fonte do conhecimento. Na sala de aula, o foco era no desenvolvimento dos aspectos cognitivos dos alunos, e esse foi o modelo adotado no mundo inteiro nestes últimos 200 anos.

No entanto, com a revolução científica e tecnológica das últimas décadas, esse cenário mudou. Cada vez mais o conhecimento está por toda parte. Então, isso significa que a figura do professor tornou-se descartável? Não! E tenho certeza de que, atualmente, o papel desse profissional é ainda mais relevante do que nos séculos anteriores.

A lógica atual, de escolas do Século 19, professores do Século 20 e alunos do Século 21, tem que rapidamente ser revertida

Mas o papel do professor precisa ajustar-se a essa nova realidade: os estudantes do Século 21 são submetidos a um mundo de informações diariamente. Uma verdadeira overdose jamais observada em qualquer outro momento da história da humanidade. Somente no último ano foram produzidos mais conhecimentos e informações do que nos últimos 5.000 anos. Então, cabe ao professor ser um mediador desse processo constante de aprendizado e, mais do que conhecimento, fomentar que crianças e jovens tomem as atitudes corretas a partir das informações que recebem.

Ou seja, o professor tem que estimular os alunos a desenvolverem competências tais como pensamento crítico, raciocínio lógico aguçado, resolução de problemas, no plano cognitivo, e também competências como criatividade, capacidade de trabalhar em time, protagonismo, resolução de conflitos, colaboração, no plano socioemocional, entre outras competências cada vez mais necessárias no mundo do Século 21.

Nesse cenário, ao analisar a realidade brasileira, estamos muito longe do ideal. Em primeiro lugar, temos hoje uma profissão pouco atrativa - apenas 2% dos jovens universitários querem seguir a carreira docente. Além disso, a formação continuada dos nossos professores não dialoga com a realidade da sala de aula, ou seja, ainda é muito teórica e não voltada para o dia a dia da escola. Estudos recentes apontam que tanto nas faculdades de pedagogia como nos programas de aperfeiçoamento o foco é muito mais teórico do que prático.

Então, é mais do que urgente no Brasil a valorização do professor e apoia-lo nesse imenso desafio que é preparar nossas crianças e nossos jovens para um novo mundo. A lógica atual, de escolas do Século 19, professores do Século 20 e alunos do Século 21, tem que rapidamente ser revertida. Isso vale para o Brasil e vale também para todo o mundo.


Viviane Senna

É presidente do

Instituto Ayrton Senna

e coordenadora da equipe técnica do movimento

Todos pela Educação

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