Dia Mundial sem Carro: Pesquisadora da FGV Energia analisa um possível cenário com carros elétricos
Postado em Carros e Transportes em 22/09/2017 às 11h30 por Redação EcoD

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Há vários fatores que nos levam a refletir sobre viver em uma sociedade em que o automóvel não é o principal meio de transporte
Foto: Lewis Adams/Flickr/(cc)

Esta sexta-feira, 22 de setembro, marca o Dia Mundial sem Carro, durante o qual a população é incentivada a refletir sobre o uso excessivo do automóvel e a utilizar outros meios de transporte. Para a pesquisadora da FGV Energia Tatiana Bruce, a motivação para essa data de conscientização advém dos efeitos adversos que o uso do automóvel ocasiona na sociedade, principalmente nas grandes cidades: poluição sonora e do ar, congestionamentos, acidentes, dentre outros.

"Em relação à poluição do ar, os automóveis são responsáveis por muitas mortes anualmente", diz Tatiana Bruce.

De acordo com o Caderno FGV Energia Carros Elétricos, em 2013, foi estimado que a poluição causada pelo setor de transporte rodoviário dos Estados Unidos eÌ responsável por aproximadamente 58 mil mortes prematuras por ano. A publicação aponta, para efeito de comparação, que em 2015 acidentes de carro foram responsáveis por 43.500 fatalidades nos EUA.

Tatiana Bruce lembra que, no futuro, quando os automóveis forem elétricos e não emitirem gases poluentes, a preocupação com a poluição atmosférica nas grandes cidades será reduzida

"No Reino Unido, estudo semelhante estima que a poluição atmosférica causada pelo transporte rodoviário mata aproximadamente 5 mil pessoas por ano — novamente, ao se comparar, acidentes rodoviários no país mataram 1.850 pessoas em 2010. Já no Brasil, o setor de Transportes é o terceiro maior emissor de gases causadores do efeito estufa nacionais, ficando, inclusive, à frente do setor elétrico", relata a pesquisadora da FGV Energia.

Mobilidade racional
Tatiana Bruce lembra que, no futuro, quando os automóveis forem elétricos e não emitirem gases poluentes, a preocupação com a poluição atmosférica nas grandes cidades será reduzida. Ainda segundo ela, ao mesmo tempo, nessa cidade do futuro, a mobilidade será mais racional com carros elétricos compartilhados funcionando lado a lado a bicicletas, ônibus elétricos, metrôs e veículos leves sobre trilhos.

"A caminhabilidade – conceito que leva em conta, principalmente, a acessibilidade no ambiente urbano e mensura a facilidade que as pessoas têm de se deslocar na cidade – também será mais valorizada nessas cidades do futuro. Uma tendência que já é observada nos centros das grandes cidades mundiais, como Atenas, Barcelona e Rio de Janeiro", ressalta a especialista.

A pesquisadora da FGV Energia alerta que há vários fatores que nos levam a refletir sobre viver em uma sociedade em que o automóvel não é o principal meio de transporte. "Mesmo quando nossos carros não poluírem mais, ainda é válido pensar a respeito da qualidade de vida das cidades que queremos morar no futuro."

Caderno FGV Energia Carros Elétricos
O estudo mostra que a frota mundial de elétricos e híbridos no ano passado era de 2 milhões de veículos para passageiros (exclui ônibus e motocicletas). A previsão é que até 2020 chegue a 13 milhões e, em 2030, a 140 milhões, ou 10% da frota total de carros. No Brasil, desde 2011 foram vendidos 5,9 mil carros elétricos e híbridos, dos quais 2.079 neste ano, quase o dobro de 2016. O número representa 0,3% das vendas totais.

A pesquisadora responsável pelo estudo diz que a principal dificuldade para a disseminação de veículos elétricos no Brasil é o alto custo, principalmente da bateria, que corresponde a aproximadamente 50% do valor do carro. "Nos últimos anos o preço vem caindo, mas ainda é elevado", relata Tatiana Bruce.

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