Pioneiro no tema Liderança Evolutiva, Manuel Manga fala sobre a importância no novo líder para um mundo mais sustentável
Postado em Empresa Sustentável em 04/07/2017 às 09h00 por Redação EcoD

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Para Manga, existem basicamente cinco diferenças entre o líder evolutivo e o chamado “tradicional”
Foto: Kaospilot

Por Jéssica Ferrari, do Centro Sebrae de Sustentabilidade

Questionar a forma de pensamento tradicional de líderes ao redor do mundo e facilitar a evolução para uma sociedade mais justa e sustentável. Este é o trabalho diário de Manuel Manga, pioneiro no tema Liderança Evolutiva, uma abordagem que expande o papel do líder nas empresas e sociedade.

Com mais de 25 anos de experiência internacional em consultorias e coaching, diretor do Center for Evolutionary Leadership na Califórnia (EUA), e antigo professor de Liderança para Mudança no Boston College (EUA), Manga questiona o pensamento de um mundo fragmentado, de competição acirrada e individualismo, conduzindo as pessoas à compreensão de que a sociedade é uma rede sistêmica, integrada e em constante movimento. “Desde uma única célula até às complexas relações sociais, a Liderança Evolutiva considera a conexão em rede entre os indivíduos, que são dependentes de todo o conjunto para sustentar-se”, explica.

Com palestra agendada no Ciclos - Congresso Internacional de Sustentabilidade – que acontece em Cuiabá, nos dias 6 e 7 de julho, Manga conversou com a equipe do Centro Sebrae de Sustentabilidade para explicar a importância do desenvolvimento de líderes evolutivos nas organizações, comunidades e instituições.

 A liderança para a sustentabilidade é tão importante nos pequenos negócios quanto nas grandes empresas. Quando o assunto é liderança evolutiva, quais são as principais diferenças deste novo líder em relação ao líder “tradicional”?
Existem basicamente cinco diferenças entre o líder evolutivo e o chamado “tradicional”. Quanto ao líder tradicional, primeiro: ele tem enfoque na competição e dominação sobre o outro. Age de maneira reativa, hierarquia e autoridade são itens supervalorizados. Segundo: tem uma visão individualista e grande ego. Terceiro: muitas vezes é visto como um “herói”, que possui todas as respostas e soluções. Quarto: vê o mundo de maneira fragmentada, individual, onde as pessoas são separadas umas das outras e da natureza, não pensa de forma sistêmica. E quinto: sua visão de futuro envolve a ambição inerente ao mundo industrial, de “ganhar” e “crescer”. A ideia de “crescer cada vez mais” não deveria ser um propósito, isso ficou na era industrial.

Se a empresa quer assumir esse valor, todos devem saber porquê e como ela é colocada em prática

Já o líder evolutivo, em contrapartida, tem a habilidade de ouvir, gerar colaboração e empoderar as pessoas. Seu poder é compartilhado com o outro. Não pensa ter todas as respostas, pois acredita no poder da inteligência coletiva, onde cada pessoa contribui e as soluções são encontradas em conjunto. É um pensador sistêmico, reconhece as conexões ocultas, ideia defendida por Fritjof Capra, entende que os problemas fazem parte de um todo. Além disso, possui um propósito explícito, declarado para o futuro. O líder tradicional mantém a ambição em silêncio, somente para si; já o evolutivo é capaz falar, envolver e comprometer-se com uma causa.

Quando o líder percebe essas diferenças e deseja fazer essa transição, deixar de ser “tradicional” para tornar-se evolutivo, qual o maior desafio?
É a quebra do paradigma, a evolução da mente, de perceber que é preciso sair do pensamento tradicional. Quando ele consegue modificar, começa a ser autor de uma nova mente, designer de uma nova realidade. Mudar não é fácil. Existe pressão dos pais, da cultura, do mercado, dúvidas sobre trabalho e futuro financeiro. “Como vou me sustentar?” Vivemos em um mundo capitalista, de consumo, que demanda dinheiro, tem um custo de vida alto. E essa mudança deve ser tanto interna quanto externa, precisamos de uma comunidade de apoio. O indivíduo muda e o todo acaba mudando também. É uma construção em longo prazo, mas necessária para vivermos em um mundo melhor.

Você já realizou consultorias e coaching em muitas empresas de todo o mundo. Existe uma situação comum entre elas quando o assunto é liderança para a sustentabilidade?
O líder é um designer da cultura organizacional, de seus valores. Quando entro em uma empresa para fazer consultoria, a primeira coisa que faço é conhecer os seus valores. Aquela lista que fica fixada na parede. É muito comum encontrar a palavra “sustentabilidade” como um dos valores. E basta perguntar a um dos funcionários o que significa sustentabilidade, que ele fica confuso e não sabe responder ao certo. Se a empresa quer assumir esse valor, todos devem saber porquê e como ela é colocada em prática.

Para quem deseja saber mais sobre o assunto, Manuel Manga estará presente na programação do Ciclos – Congresso Internacional de Sustentabilidade –, no dia 7 de julho, com a palestra “Liderança Evolutiva”.

EVENTO:
Congresso Internacional de Sustentabilidade para pequenos negócios - CICLOS
Data: 6 e 7 de julho
Horário: 14h às 20h
Local: Centro de Eventos do Pantanal | Cuiabá (MT)
Confira a programação completa: https://goo.gl/O8kjaF
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