Professor universitário larga tudo para trabalhar com bioconstrução
Postado em Arquitetura e Construção em 09/08/2017 às 09h54 por Redação EcoD

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Neste ano Cazeloto completa 10 anos na bioconstrução
Fotos: Divulgação

Depois de anos trabalhando em busca de ascensão social, o jornalista e radialista Edilson Cazeloto, que trabalha agora com bioconstrução, chegou ao topo da carreira profissional.

Foi nesse momento que resolveu utilizar a sua liberdade para tomar a decisão de colocar em prática um plano: usar o dinheiro para sair do sistema econômico e seguir em um novo caminho e fazer a migração da metrópole para o campo.

Em sua nova jornada, construiu sua própria casa na Ecovila Clareando, em Piracaia, a 90 Km de São Paulo. Depois fundou o Sítio Pau d’Água, vizinho à Ecovila, onde atualmente desenvolve trabalhos de permacultura a agroecologia.

Neste ano, ele completa 10 anos de trajetória na bioconstrução.

Cada parede teve uma história e uma vida. Cada parede foi uma mestra e uma companheira

Em 2007, ele e sua companheira na época abraçaram a ideia de construir sua própria casa em um lote da Ecovila Clareando, em Piracaia.

Principal escola
Cazeloto fez vários cursos, mas sua obra foi sua principal escola: cinco anos de construção errando, tentando, aprendendo, observando, fazendo, refazendo. Ele participou pessoalmente de todas as etapas, do alicerce ao telhado, da hidráulica e da elétrica, do tratamento de esgoto e do jardim.

Cada parede teve uma história e uma vida. Cada parede foi uma mestra e uma companheira.

Depois disso participou de várias outras obras. Trabalhou, deu palpites, acompanhou outras casas. Recebeu voluntários para trabalhar em outras obras, partilhou o que sabia e ficou mais jovem com o frescor das novas mãos sujas de barro que encontrou pelo caminho.

O BIO, da bioconstução não se refere aos materiais, mas ao modo como aquela construção ocupa um lugar orgânico na VIDA de seus construtores. O BIO está nas mãos, e não no barro.

Daí que a casa não se separa de jeito nenhum da vida de seus moradores. A casa meio que emerge da vida que quer viver lá dentro, A casa expressa essa Vida que já não cabe no concreto, na Bolsa de Valores, no trabalho urbano sem sentido. A Vida e o corpo dos moradores são o prumo e o esquadro da casa: são a referência, a medida, o fim e o critério.

Bioconstrução é quando, depois de anos você olha aquela parede e ainda está enamorado dela

Por isso, Bioconstrução é sempre autoconstrução.

"Você pode encomendar para que alguém te faça uma casa de pau a pique, mas não será uma Bioconstrução. Falta-lhe a Vida. Falta-lhe receber no barro as pequenas gotas de sangue de seus dedos cortados pelo bambu da trama e que, de fato, fazem daquela massa uma coisa viva: um Bios", explica Edilson.

A bioconstrução, como processo, se dá no ritmo da vida, olhando a particularidade de cada situação. Nenhuma massa de barro é igual à anterior. Nenhuma parede é como a outra. Uma bioconstrução não se constrói: se modela. Uma bioconstrução se tece como quem tece a vida, no tempo do corpo, no tempo sentido, no calor das mãos.

Bioconstrução é quando, depois de anos você olha aquela parede e ainda está enamorado dela. Depois de tanta história, você desperta de manhã e diz sorrindo: “Bom dia, Casa. Vamos para mais um dia?”

Sua história nos inspira a refletir que poucos bens valem a pena quando nós os precificamos em tempo de vida e como a maioria de nós parece estar “perdendo a vida, para ganhar a vida”.

(Via Razões Para Acreditar)

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