Empreendedora cria glitter biodegradável para poupar meio ambiente dos microplásticos
Postado em Micro e Pequenos EcoNegócios em 25/01/2018 às 11h18 por Redação EcoD

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Negócio criado por Frances Sansão contribui para um Carnaval mais sustentável

Fã de muito brilho, a empreendedora Frances Sansão, 28 anos, tomou conhecimento dos males ocasionados pelo acúmulo dos microplásticos no meio ambiente por meio do irmão, que é biólogo. Utilizadas em produtos de cuidados pessoais, como cremes esfoliantes e roupas sintéticas, essas substâncias acabam lançadas muitas vezes nos oceanos, onde são ingeridas por animais marinhos, que morrem intoxicados. Ao ter sua consciência ecológica despertada, ela resolveu criar a Pura Bioglitter, marca carioca de glitter biodegradável. O negócio embrionário terá este ano seu primeiro grande Carnaval e as expectativas são as melhores possíveis: o estoque não tem durado mais que um dia.

“Eu usava purpurina para caramba, saía de casa besuntada, ainda que não fosse Carnaval. Fiquei chocada ao saber o mal que fazia ao meio ambiente. Não tinha ideia desse impacto”, afirmou Frances à Erin Mizuta, do Projeto Draft. Depois da conversa com o irmão e de ler algumas reportagens que falavam especificamente do glitter, a coisa mudou. “Pensei: purpurina também é plástico, deve ser nocivo também. Alguém precisa fazer alguma coisa”. E esse alguém, no caso, foi ela mesma. Sem delegar a tarefa para terceiros, a arquiteta começou a pesquisar, via internet, as alternativas disponíveis.

À época, encontrou opções disponíveis apenas fora do país e, por isso, começou a desenvolver um produto próprio. O interesse pelo mundo do glitter orgânico coincidiu com uma fase de descontentamento com a carreira de arquiteta. Enquanto se dedicava a projetos freelancer desde que largou o emprego em outubro de 2016, começou a fazer as pesquisas para o produto. O desenvolvimento levou cerca quatro meses.

Para este ano, a empreendedora prevê faturar 25 mil reais no Carnaval por sentir que “o glitter biodegradável já está mais em voga”

Em 2017, ela conseguiu fechar o Carnaval com um faturamento de cerca de 4 mil reais — e, ainda no ano passado, comercializou 10 quilos de bioglitter comercializados. Foi pouco para a demanda: “Não tive como produzir nem o que as pessoas estavam querendo”.

Grande demanda
Os testes eram feitos em casa com receitas caseiras com sal, açúcar, materiais para brilho e corantes alimentícios naturais. Simpatizante da cozinha vegana, ela juntou a expertise no preparo de uma gelatina à base de algas em pó. Deu certo, mas ainda não brilhava. Até que, finalmente, o elemento que faltava para fechar a receita apareceu: uma rocha brilhante e atóxica trouxe o efeito que faltava às receitas. Isso era quase carnaval de 2017. No início de fevereiro, Frances postou uma foto no Instagram com sua criação e, diz, a procura começou instantaneamente.

“Fiz um perfil de Instagram na pressa para a marca, e apareceu uma enxurrada de gente fazendo pedido”, lembra. O namorado na época, que havia pedido demissão do emprego, começou a ajudar na administração e logística do negócio literalmente caseiro — até hoje ela trabalha em casa, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro — que operou dessa forma até aquele Carnaval acabar. Assim que a folia terminou, Frances formalizou a empresa e começou a fazer cursos de empreendedorismo.

O investimento inicial, de cerca de 1 mil reais, se pagou logo no primeiro Carnaval, à medida em que Frances ia vendendo os produtos também pessoalmente, nos bloquinhos do Rio de Janeiro. Em 2017, ela conseguiu fechar o Carnaval com um faturamento de cerca de 4 mil reais — e, no ano, comercializou 10 quilos de bioglitter comercializados. Foi pouco para a demanda: “Não tive como produzir nem o que as pessoas estavam querendo”.

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O produto é feito à base de algas, pó de pedra e corantes. Biodegradável, sai com água e sabão e se decompõe naturalmente

Produção artesanal
O processo de produção ainda é totalmente artesanal e, por isso, demorado. Após produzir a pasta com algas, Frances mistura o preparado com a pedra e os corantes. Tudo é espalhado em uma superfície para secar. Se o tempo estiver ruim (frio ou chuvoso), esta etapa do processo pode levar até dois dias. Depois, essa “casquinha” é triturada e distribuído em pequenos frascos. Em um ritmo acelerado, Frances conta que consegue produzir 500g de bioglitter em três dias. Pode parecer pouco, mas a produção equivale a cerca de 350 frascos de 3 ml (com cerca de 1 g), vendidos a 10 reais cada. Ela faz tudo sozinha, inclusive o processo de embalagem e etiquetagem.

O bioglitter é vendido em dois tamanhos: a embalagem de 3ml custa 10 reais e a de 10ml sai por 16. A pasta (feita à base de Aloe Vera, para facilitar a aplicação) é vendida por 32 reais, em frascos de 40ml. No ano passado, Frances oferecia também um vidro maior de glitter, mas descontinuou porque não tinha tanta procura.

Para este ano, a empreendedora prevê faturar 25 mil reais no Carnaval por sentir que “o glitter biodegradável já está mais em voga”. Para se ter ideia, o estoque mais recente do site foi reposto na segunda-feira (22) e esgotou no mesmo dia — uma surpresa até para Frances. Antes desse “susto positivo”, porém, por ter iniciado uma produção em setembro do ano passado, a Pura BioGlitter participou de ações comerciais com a marca de roupas Farm e a de lingerie Tulli. Hoje, multimarcas como a Void e a +Alma também revendem os produtos. Frances diz ter comercializado 10 mil embalagens do glitter até o momento.

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