Presidida por um brasileiro, nova ISO pretende agregar sustentabilidade ao setor florestal
Postado em Responsabilidade Social em 14/05/2018 às 14h40 por Murilo Gitel

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Nova norma pretende que o fabricante faça uma avaliação da legalidade de sua plantação
Foto: Abaf/Divulgação

Cerca de dois terços da madeira negociada no mundo atualmente têm origem ilegal. Em meio a esse cenário pouco animador, uma nova norma que será lançada até o final deste ano terá o desafio de agregar mais sustentabilidade aos produtos de base florestal. Trata-se da ISO (International Organization for Standardization) 38.200.

Liderada pelo baiano Jorge Cajazeira, executivo com mais de duas décadas de atuação na Suzano Papel e Celulose, a norma contará com a participação de mais de cem países e terá a missão de fazer com que o consumidor, ao comprar uma peça ou bem proveniente de base florestal, tenha a garantia de que a produção utilizou critérios íntegros, sempre em respeito à legislação do país de origem.

“Vamos pegar o exemplo da Rússia, onde 60% da produção de madeira é ilegal, sendo que metade do que ela exporta provém de madeira ilegal. Na Libéria, 100% do que é produzido em madeira é ilegal. Na China, 50%. No Brasil, estima-se que um terço da produção seja ilegal. No Peru, 90%. Então, a madeira ilegal permeia o comércio mundial e não se pode permitir isso”, acrescenta o executivo.

“O objetivo da norma é viabilizar o consumo consciente no sentido de viabilizar a base florestal de maneira responsável”, destaca Cajazeira.

A última reunião para discutir a ISO 38.200 foi realizada em fevereiro, em Berlim (Alemanha). Na ocasião, os temas que envolvem a norma foram debatidos já em caráter conclusivo, ao contrário do que vinha sendo registrado nos encontros anteriores, quando os pontos mais polêmicos ainda eram recorrentes.

“Por ser uma norma internacional, ela precisa ser aplicável em todo o mundo. Tivemos um grande processo nas negociações, que geraram um conjunto de regras aceitas por todos”, observa a advogada especialista em Direito Ambiental Erica Rusch, que participou das discussões na capital alemã.

Manejo
De acordo com Cajazeira, a nova norma pretende que o fabricante faça uma avaliação da legalidade de sua plantação, de como ele atende os principais requisitos internacionais de florestas bem manejadas. “Uma outra discussão abordou as utilizações da madeira, que não serve só para fazer papel e celulose. Serve para a construção civil e milhares de outros usos. Portugal tem interesse no manejo da cortiça para fazer rolhas para vinhos, por exemplo, uma vez que, segundo especialistas, a rolha tem um papel muito importante na preservação das propriedades da bebida. Os portugueses querem que a norma se aplique a esse tipo de produto”, explica.

O cumprimento da norma será em caráter voluntário, mas Erica Rusch acredita que a tendência será de que as empresas que não se adequarem à ISO enfrentarão dificuldades para comercializar seus produtos, tanto no Brasil como no Exterior.

“Ela passa a ser um instrumento para as empresas mostrarem seu compromisso com a origem legal e sustentável da madeira”, reforça a advogada.

Bahia
Considerada uma potência no setor florestal, com mais de 700.000 hectares locados para diversas finalidades, a Bahia tem grande interesse na sustentabilidade desse segmento, que faturou no ano passado cerca de R$ 9 bilhões e gera, no Estado, aproximadamente 320 mil postos de trabalho (diretos e indiretos).

“O setor de papel e celulose é o que mais exporta no Estado, por meio de suas principais empresas, Suzano, Fibria e BSC. Agora, para ter sucesso na exportação, essas empresas precisam ter suas bases certificadas. Hoje, esses certificadores são, basicamente, os selos FSC e PEFC. São dois certificadores que não têm origem internacional aceita, como a ISO, uma norma mundial aceita pela Organização Mundial do Comércio. Por isso, eu creio na vantagem indiscutível da ISO assim que ela esteja em pleno uso em relação aos outros padrões de certificação”, projeta Cajazeira.

(Via CORREIO Sustentabilidade

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