Mercado de carbono: setor empresarial brasileiro apresenta proposta ao ministro da Fazenda
Postado em Economia e Política em 19/07/2018 às 17h15 por Redação EcoD

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Marina esteve na capital federal na companhia dos CEOs André Araújo, da Shell; André Clark, da Siemens e Rogério Zampronha, da Vestas
Foto: Fernando Fernandes

Uma proposta de mecanismo de precificação de carbono para a indústria brasileira foi entregue nesta quinta-feira, 19 de julho, pela presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) Marina Grossi, ao ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, durante encontro em Brasília que teve a participação de empresários.

Marina esteve na capital federal na companhia dos CEOs André Araújo, da Shell; André Clark, da Siemens e Rogério Zampronha, da Vestas, que chancelaram a disposição do setor industrial para acelerar o processo de regulamentação deste mercado. A expectativa do setor é aprimorar processos de gestão de riscos financeiros relacionados à mudança climática e identificar riscos e oportunidades de geração de receitas.

Para chegar à proposta de criação de um mercado de carbono, o CEBDS encomendou um estudo o qual demonstrou que é possível incorporar de forma transparente os impactos provocados pela emissão de carbono na atmosfera aos custos das empresas emissoras, de forma a financiar a transição para uma economia de baixo carbono.

A importância da criação deste marco regulatório é propiciar que o Brasil cumpra as metas estabelecidas no Acordo do Paris, que pretende limitar o aquecimento global em 2º C; e também assuma protagonismo no mercado de carbono mundial, dadas as suas vantagens técnicas para atuar nesse mercado.

Atualmente, 51 jurisdições nacionais e subnacionais já adotaram a precificação de carbono

O estudo foi desenvolvido pelo professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ronaldo Seroa da Motta, doutor em Economia pela University College London, com apoio do Carbon Pricing Leadership Coalition (CPLC), que coordena as discussões do Banco Mundial sobre o tema. Marina Grossi, presidente do CEBDS, é uma das nove lideranças mundiais que integram esse comitê no Banco Mundial.

Mercado x taxação
"Defendemos a criação de um mercado no Brasil ao invés da taxação, pois queremos evitar o aumento da nossa carga tributária e o risco de direcionar as receitas fiscais a outros investimentos que não estejam relacionados à transição para a economia de baixo carbono. Acreditamos que podemos implantar esse mercado de forma gradual, em um prazo de cinco anos, como aconteceu de forma bem-sucedida em alguns países da Europa", destaca Marina Grossi.

Atualmente, 51 jurisdições nacionais e subnacionais já adotaram a precificação de carbono. Destas, 25 têm abordagens de mercado e 26 têm abordagens fiscais. No total, as duas formas de precificação cobrem 20% das emissões globais, com um valor anual de US$ 82 bilhões.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse ao término da reunião que entende as preocupações do setor e vai olhar com atenção o assunto. Guardia afirmou que considera a discussão muito positiva e confirmou que pretende voltar a se reunir com o setor para abordar o tema nos próximos meses.

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