Tesouros de Matarandiba: horta comunitária e ostreicultura familiar geram capacitação e renda
Postado em Empreendedorismo em 07/04/2018 às 08h00 por Murilo Gitel

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A horta comunitária da Vila segue os princípios da agroecologia
Foto: Dow/Divulgação

"É uma experiência boa, porque antes eu ficava em casa, sem nada para fazer, agora cuido da horta". O relato do estudante Thiago Pereira, 17 anos, ajuda a definir a importância da horta comunitária que integra a Rede Matarandiba de Economia Solidária e Cultura (Ecosmar). Protagonizado pela própria comunidade, o projeto é desenvolvido na Vila de Matarandiba, em Mar Grande (BA). No local são produzidos verduras e frutos como coentro, beterraba, rúcula, hortelã, alface, quiabo e limão.

A horta comunitária da Vila segue os princípios da agroecologia, com foco no equilíbrio da fauna e da flora. “Orgânica, ela desperta a consciência da comunidade sobre a importância da alimentação equilibrada”, destaca José Mário da Silva, conselheiro de Comunicação e Cultura da Associação Comunitária de Matarandiba (Ascoma), organização responsável pela criação e gestão de empreendimentos de economia solidária. “A horta é alternativa de trabalho na própria comunidade, que consome as hortaliças. Estamos iniciando a criação de abelhas (apicultura), para a produção de mel”, adianta.

Ao dispensar o uso de agrotóxicos, a horta orgânica contribui com o meio ambiente, a geração de renda da comunidade local e a capacitação profissional dos jovens

Rubenita Lelis, integrante da Ascoma que participou da implantação da horta, explica que a produção é vendida no comércio local da Vila de Matarandiba. "Alguns produtos também abastecem a fábrica da Dow", acrescenta. Com brilho nos olhos, o jovem Thiago relembra que aprendeu com o pai, o qual atuou como "agente veterano" da horta, os ensinamentos para cuidar do solo, plantio e colheita. "Os carros-chefes são o coentro e o limão", conta. Segundo o aprendiz, até o combate as pragas se dá de maneira natural. "Utilizamos a raiz da planta cocó, que é pulverizada, e também o biofertilizante biogel, feito com restos de verduras e frutas". 

Ao dispensar o uso de agrotóxicos, a horta orgânica contribui com o meio ambiente, a geração de renda da comunidade local e a capacitação profissional dos jovens.

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                                         Cultivo de ostras é feito de modo que cause o mínimo de impactos ao meio ambiente
                                          Foto: Murilo Gitel/EcoD

Ostreicultura familiar
O Grupo de Ostreicultura Familiar de Matarandiba também contribui com a geração de renda da comunidade local. As atividades foram iniciadas em 2011 e baseiam-se na técnica de mesa/tabuleiro e práticas de cultivo que preservam o ecossistema. “Estamos experimentando uma outra modalidade de cultivo, desta vez submerso na modalidade de balsa de cultivo, onde as ostras são colocadas nas lanternas”, explica José Mário.

“A intensa forma de pesca predatória (sobretudo com bomba) fez com que o grupo buscasse outra forma de cultivo. Estamos fazendo o povoamento das ostras, limpeza e acompanhamento biométrico. Nossa expectativa é comercializá-las em breve”, conta o conselheiro da Ascoma.

Os projetos e ações desenvolvidas na Vila são protagonizados pela própria comunidade e contam com uma parceria entre a Dow e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio da Incubadora Tecnológica de Economia Solidária e Gestão do Desenvolvimento Territorial (Ites/UFBA).

Na próxima matéria da série "Tesouros de Matarandiba": como uma agência de turismo liderada por jovens e uma rádio comunitária contribuem para o desenvolvimento da comunidade. 

O repórter viajou até a Ilha de Matarandiba à convite da Dow Brasil.

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